ChatGPT Ads chegou ao Brasil: o que a nova plataforma revela sobre o futuro dos anúncios pagos?

Durante anos, quem trabalha com mídia paga se acostumou a dividir boa parte das estratégias entre duas grandes lógicas.
De um lado, temos plataformas como Meta Ads e TikTok Ads, capazes de encontrar consumidores enquanto eles navegam por conteúdos. Do outro, o Google Ads, que permite alcançar pessoas enquanto elas demonstram uma intenção através de uma pesquisa.
Agora, o ChatGPT Ads começa a apresentar uma terceira possibilidade: alcançar consumidores a partir do contexto de uma conversa.
A plataforma ainda está em beta e, como ficou evidente durante meu primeiro contato, existem limitações e funcionalidades que precisam amadurecer. Mesmo assim, já é possível perceber alguns caminhos interessantes.
Uma estrutura familiar para quem trabalha com tráfego
A primeira surpresa é que o ChatGPT Ads não parece completamente estranho para quem já opera outras plataformas.
Existe uma estrutura semelhante à encontrada no Meta Ads:
Campanha → conjunto de anúncios → anúncios.
No nível da campanha, atualmente aparecem três objetivos: alcance, cliques e conversões.
Também é possível definir orçamento diário ou orçamento total.
No conjunto de anúncios, encontramos configurações relacionadas à audiência e até a definição de um CPM desejado. Já no anúncio, temos elementos familiares a quem trabalha com Google Ads: URL de destino, headline, descrição e imagens.
É justamente aí que começamos a perceber uma característica interessante.
Embora estruturalmente existam semelhanças com a Meta, a lógica do anúncio parece, neste primeiro momento, muito mais próxima do Google.
O criativo talvez deixe de ser o protagonista
No Instagram ou TikTok, um anúncio precisa interromper o comportamento do usuário.
Uma imagem precisa chamar atenção.
Um vídeo precisa gerar curiosidade rapidamente.
No ChatGPT, a situação é diferente.
O usuário está fazendo perguntas e procurando informações. Por isso, o anúncio precisa estar relacionado àquilo que ele está tentando resolver.
Durante a configuração, uma das opções mais interessantes permite descrever conversas, tópicos ou palavras-chave nas quais o produto ou serviço pode ser relevante.
Uma agência especializada no segmento automotivo, por exemplo, poderia indicar contextos como:
“marketing para oficinas mecânicas”;
“como conseguir mais clientes para minha oficina”;
“estratégia de marketing para oficinas”.
Isso sugere uma mudança importante.
No Google, tradicionalmente pensamos muito na busca.
Na Meta, pensamos em públicos e sinais comportamentais.
No ChatGPT Ads, talvez precisemos começar a pensar em contextos e intenções conversacionais.
Mas a plataforma ainda tem limitações importantes
É importante não confundir potencial com maturidade.
O ChatGPT Ads apresentado no teste ainda possui características claras de uma plataforma beta.
A segmentação geográfica, por exemplo, mostrou-se bastante limitada. Foi possível selecionar país ou estado, mas não municípios, bairros ou CEPs.
Para negócios locais, isso representa uma barreira relevante.
Também foram encontrados problemas com recursos que aparentemente já existem na interface, mas ainda não estavam funcionando adequadamente.
O objetivo de conversões exige a configuração de um evento e instalação do pixel, porém não foi possível concluir essa configuração durante o teste.
O mesmo aconteceu com a criação de audiências personalizadas.
Outro ponto que merece atenção está no orçamento. A plataforma informa que o gasto de um determinado dia pode chegar a um valor significativamente superior ao orçamento diário definido. Para anunciantes com verba reduzida, será necessário acompanhar esse comportamento com cuidado.
No orçamento total, o pacing também ainda não estava disponível.
E, pelo menos na versão testada, os anúncios aceitavam imagens, mas não vídeos.
São limitações consideráveis, mas compreensíveis para uma ferramenta ainda em desenvolvimento.
E as agências?
Também existe uma diferença operacional importante.
Ao indicar que a conta seria utilizada por uma agência para anunciar para clientes, a plataforma orientou a criação da conta pelo próprio cliente, que posteriormente adicionaria a equipe responsável.
Ou seja, pelo menos nesta fase, não encontramos uma estrutura equivalente ao Business Manager da Meta permitindo centralizar facilmente diversas contas de clientes.
Para agências, certamente é um ponto que merece evolução.
A maior oportunidade talvez seja aprender antes
Depois desse primeiro contato, meu principal insight não está relacionado a nenhuma funcionalidade específica.
Está relacionado ao timing.
Plataformas de anúncios possuem curvas de aprendizado.
Quando o mercado inteiro entra, os profissionais que começaram antes já acumularam centenas de testes.
Eles já descobriram quais mensagens funcionam, quais segmentações geram resultados, quais landing pages convertem e quais erros devem ser evitados.
Foi assim em diferentes momentos da história da mídia digital.
Por isso, talvez o maior ativo disponível agora não seja necessariamente um CPC barato ou um CPM baixo.
É aprendizado.
Quem começar a testar ChatGPT Ads enquanto a plataforma ainda está amadurecendo poderá construir conhecimento antes que exista uma quantidade enorme de anunciantes competindo pelo mesmo espaço.
Uma nova lógica de aquisição?
Ainda é cedo para determinar o papel que o ChatGPT Ads terá dentro dos funis de marketing.
Mas existe uma possibilidade particularmente interessante.
A Meta consegue encontrar pessoas.
O Google consegue encontrar buscas.
O ChatGPT pode conseguir encontrar problemas sendo discutidos.
Se essa capacidade evoluir, estaremos diante de um ambiente publicitário no qual contexto, intenção e utilidade terão um peso enorme.
A disputa deixará de ser apenas por atenção.
Será também pela oportunidade de oferecer a solução certa enquanto o consumidor tenta entender o próprio problema.
E, para quem trabalha com marketing, talvez esse seja o melhor momento para começar a aprender como esse novo jogo funciona.

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