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O marketing não deveria ser chamado para vender decisões que não ajudou a tomar

  • Writer: Lucca Suassuna
    Lucca Suassuna
  • Jun 12
  • 3 min read

Existe uma cena comum em muitas empresas.

O produto já foi definido.

O preço já foi aprovado.

Os canais de venda já foram escolhidos.

O planejamento operacional já está em andamento.

E só então alguém faz a pergunta:

“Agora, como vamos divulgar isso?”

Nesse momento, o marketing entra na sala.

Mas talvez ele já tenha chegado tarde demais.

Essa dinâmica é tão comum que muitos gestores nem percebem o impacto que ela gera nos resultados. Afinal, durante anos o mercado associou marketing principalmente à comunicação. Criar campanhas, produzir conteúdo, desenvolver anúncios e divulgar produtos se tornou a parte mais visível da profissão.

O problema é que a parte visível raramente é a parte mais estratégica.

Quando o marketing é tratado apenas como uma ferramenta de divulgação, a empresa perde acesso a uma das fontes mais importantes de informação sobre mercado, comportamento e percepção de valor.

E isso costuma gerar consequências muito maiores do que campanhas com baixo desempenho.

Porque crescimento não é determinado apenas pela qualidade da comunicação.

Ele é determinado pela qualidade das decisões que antecedem a comunicação.

Antes de vender qualquer coisa, uma empresa precisa responder algumas perguntas fundamentais:

Quem é o cliente?

Qual problema estamos resolvendo?

Por que alguém escolheria nossa solução em vez da concorrência?

Quanto esse cliente está disposto a pagar?

Qual é a percepção de valor associada ao produto?

Por onde essa pessoa prefere comprar?

Essas perguntas não pertencem exclusivamente ao marketing.

Mas também não deveriam ser respondidas sem ele.

Afinal, se existe uma área que passa boa parte do tempo estudando comportamento do consumidor, analisando concorrentes, observando tendências e interpretando sinais de mercado, essa área é justamente o marketing.

Quando ela fica de fora dessas discussões, a empresa não está apenas excluindo um departamento.

Está abrindo mão de informações estratégicas.

E isso cria um cenário curioso.

Muitas vezes o marketing recebe a responsabilidade pelos resultados sem ter participado das decisões que influenciaram esses resultados.

Imagine uma empresa que lança um produto com baixo potencial de diferenciação.

Ou define um preço desalinhado com a percepção de valor do mercado.

Ou escolhe canais que não correspondem aos hábitos de compra do público.

Depois disso, o marketing recebe a missão de gerar vendas.

Quando os resultados não aparecem, a análise normalmente recai sobre campanhas, anúncios ou conteúdos.

Mas a verdadeira origem do problema pode estar muito antes.

Pode estar na construção da oferta.

Pode estar na definição do posicionamento.

Pode estar na leitura equivocada do mercado.

Nenhuma campanha consegue corrigir indefinidamente uma estratégia mal formulada.

A comunicação pode amplificar valor.

Mas ela não cria valor sozinha.

Esse é um ponto importante para gestores refletirem.

Existe uma diferença entre usar marketing para comunicar uma decisão e usar marketing para ajudar a construir uma decisão.

No primeiro cenário, o marketing atua como executor.

No segundo, atua como parceiro estratégico.

E as empresas que mais crescem normalmente escolhem o segundo caminho.

Isso acontece porque elas entendem que marketing não é apenas uma ferramenta de promoção.

É uma ferramenta de inteligência.

Os melhores times de marketing não observam apenas métricas de campanha.

Eles observam comportamento.

Identificam mudanças de consumo.

Mapeiam objeções.

Detectam oportunidades.

Percebem movimentos da concorrência.

Interpretam sinais que ajudam a reduzir riscos nas decisões empresariais.

Em outras palavras, eles ajudam a empresa a enxergar o mercado com mais clareza.

E clareza costuma ser uma vantagem competitiva enorme.

Especialmente em um cenário onde mudanças acontecem cada vez mais rápido.

Novos concorrentes surgem.

Novos canais aparecem.

Novos hábitos de consumo se consolidam.

Nesse ambiente, tomar decisões apenas com base em percepções internas se torna cada vez mais perigoso.

É por isso que algumas organizações já começaram a reposicionar o marketing dentro da estrutura corporativa.

Não como uma área responsável apenas pela divulgação.

Mas como uma área responsável por conectar cliente, mercado e estratégia.

Porque, no fim das contas, marketing não é apenas sobre comunicar o valor de uma empresa.

É também sobre ajudar a empresa a construir valor.

E isso muda completamente o papel que ele desempenha dentro da organização.

Talvez a reflexão mais importante para CEOs, diretores e empreendedores seja justamente esta:

Quando sua empresa discute crescimento, expansão, novos produtos, precificação ou posicionamento, o marketing está presente na conversa?

Ou ele só é chamado depois que tudo já foi decidido?

Porque empresas que mantêm o marketing distante das decisões estratégicas não operam apenas com menos marketing.

Operam com menos conhecimento sobre seus clientes.

E, em mercados cada vez mais competitivos, essa pode ser uma das decisões mais caras que uma organização pode tomar.

 
 
 

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